Rejeição ao Terminator – uma vitória dos povos
Março 24, 2006
Mulheres da Via Campesina protestam contra semente Terminator na COP8
CURITIBA, BRASIL, 24 Março - Uma ampla coalizão de camponeses, de povos indígenas e da sociedade civil celebra, hoje, a firme rejeição das manobras para minar a moratória global das tecnologias Terminator – sementes estéreis geneticamente engenheiradas – na Convenção de Diversidade Biológica da ONU.
“Esse é um dia importante para os 1,4 bilhões de pessoas ao redor do mundo que dependem de sementes guardadas”, disse Francisca Rodriguez, da Via Campesina, um movimento de camponeses, de amplitude mundial, “as sementes Terminator são uma arma de destruição em massa e um assalto à nossa soberania alimentar”.
O Terminator ameaça diretamente nossas vidas, nossa cultura e nossa identidade como povos indígenas”, disse Viviana Figueroa, da comunidade indígena Ocumazo, da Argentina, em nome do Fórum Indígena Internacional sobre Biodiversidade.
“A decisão de hoje é um grande avanço para a Campanha Brasileira contra transgênicos”, disse Maria Rita Reis da FBONDS, “Isso reafirma o banimento brasileiro do Terminator. Envia uma clara mensagem ao governo nacional e ao congresso de que o mundo apóia um banimento do Terminator.”
“O senso comum prevaleceu – abandonar a moratória sobre as sementes Terminator seria suicídio – literalmente,” disse Benedikt Haerlin, do Greenpeace Internacional, na reunião da Convenção. “Essa é uma vitória genuína da sociedade civil ao redor do mundo – será um longo caminho para assegurar que a biodiversidade, a segurança alimentar e os meios de vida de milhões de agricultores ao redor do mundo estejam protegidos.”
Terminators, ou GURTs (Tecnologias de Restrição de Uso Genético), é uma classe de tecnologias de engenharia genética que permite às companhias introduzir sementes cuja geração seguinte, estéril, não se reproduz, evitando que os agricultores replantem sementes de suas colheitas. As sementes também podem ser usadas para introduzir traços específicos os quais somente seriam ativados pela aplicação de químicos patenteados das mesmas companhias.
Na CDB, a Austrália, o Canadá e a Nova Zelândia, em companhia do governo dos Estados Unidos (que não é parte da CDB) e de diversas companhias de biotecnologia lideraram tentativas para abrir a porta para testes a campo das sementes Terminator, mediante a insistência de avaliar “caso a caso” tais tecnologias. Hoje, esse texto foi rejeitado por unanimidade, no grupo de trabalho da CDB que tratou do assunto. Ele ainda necessita ser formalmente adotado pelo plenário da CDB.
Em que pese a vitória de hoje, não há dúvida de que a indústria multinacional de biotecnologia continuará pressionando pela tecnologia das sementes estéreis. O “Terminator” mostrará sua feia cabeça na próxima reunião da CDB da ONU, em 2008. A única solução é um total banimento da tecnologia, de uma vez por todas,” concluiu Pat Mooney, da Campanha Terminar Terminator. Agora todos os governos nacionais devem decretar banimentos nacionais do Terminator, como fizeram o Brasil e a Índia.