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02. pk background PT.pdf 74,22 kB2. Informação Básica
As Sementes Terminator na COP8
O que é a Tecnologia Terminator?
A tecnologia Terminator refere-se a plantas modificadas geneticamente para produzirem sementes estéreis na colheita. É um tipo de tecnologia GM conhecida como Tecnologia de Restrição de Uso Genético (GURTs, em inglês Genetic Use Restriction Technology) que permite ativar ou desativar traços genéticos através de um indutor externo como, por exemplo, um químico. As Nações Unidas se refere às tecnologias de esterilização de sementes como Varietais-GURTs (ou V-GURTs).
Quem desenvolveu a Tecnologia Terminator?
A tecnologia Terminator foi desenvolvida pela indústria multinacional de sementes/agroquímicos e pelo governo dos Estados Unidos para evitar que os agricultores guardem e replantem sementes de suas colheitas e para maximizar o lucro da indústria de sementes. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos e a Delta & Pine Land, a 11ª maior companhia de sementes do mundo, detêm, conjuntamente, três patentes da tecnologia Terminator. A Delta & Pine Land está, atualmente, testando a tecnologia em estufas e um representante seu está agora viajando pelo mundo para promover a tecnologia Terminator da companhia. A Syngenta, a DuPont, a BASF e a Monsanto também detêm patentes com a tecnologia Terminator.
Quem são os interessados?
- Os agricultores em pequena escala enfrentam as maiores ameaças das sementes Terminator, uma vez que sua habilidade de plantar e melhorar cultivos depende de selecionar e guardar sementes a cada ano. Mais de 1,4 bilhões de pessoas no mundo depende das sementes guardadas de seu próprio cultivo como fonte primária de sementes. A troca dinâmica de sementes entre as comunidades e as pessoas está ameaçada pelas tecnologias de esterilização de sementes.
- Para muitas comunidades locais e povos indígenas, a guarda de sementes está conectada com o conhecimento tradicional relacionado à biodiversidade agrícola e profunda e longamente ligada com a prática das tradições culturais e espirituais, todas elas ameaçadas pelo Terminator.
- Grupos de ação ambiental também são contra as sementes Terminator, uma vez que elas ameaçam a biodiversidade agrícola e apresentam novos riscos de biossegurança. Na primeira geração, o pólen das plantas Terminator pode se movimentar e cruzar com plantas silvestres relacionadas ou cultivos da vizinhança, resultando em plantas com sementes estéreis.
- A indústria de sementes e de biotecnologia quer o Terminator como forma de proteger as patentes corporativas sobre sementes, particularmente das sementes modificadas geneticamente, e forçar os agricultores a comprar sementes comerciais a cada safra.
- A maioria dos governos tem se manifestado contra o Terminator e na defesa dos agricultores e dos países. Há somente uns poucos governos ricos que estão promovendo o Terminator – a saber, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Gran Bretanha – com os Estados Unidos.
Os impactos potenciais do Terminator incluem:
- dependência de sementes comerciais
- deslocamento do conhecimento tradicional, indígena e da ecologia local e das práticas culturais e espirituais
- rompimento das práticas tradicionais de troca de sementes
- mudanças irreversíveis nos ecossistemas decorrentes da contaminação com os genes Terminator
-
perdas nas colheitas devido à polinização cruzada com plantas Terminator
redução da biodiversidade agrícola
Qual a situação da tecnologia Terminator?
- Em 2000, a Convenção de Diversidade Biológica das Nações Unidas adotou um texto que criou uma moratória internacional de facto sobre as sementes Terminator, recomendando aos governos a não permitir testes a campo e nem comercializar tecnologias de esterilização genética de sementes (Decisão V/5, Seção III, parágrafo 23).
- O Terminator ainda não está sendo comercializado ou testado a campo – embora testes estejam atualmente sendo realizados em estufas nos Estados Unidos.
- A moratória está sendo minada pelo novo texto proposto de “avaliação de riscos caso a caso” do Terminator. O texto foi introduzido em reunião da Convenção de Diversidade Biológica das Nações Unidas, em Granada, Espanha, em janeiro de 2006, pelo governo australiano, com apoio dos Estados Unidos, Canadá e Nova Zelândia. Esse novo texto repete a própria referência da Monsanto de tratar o Terminator em base “caso a caso”.
“Avaliação de riscos caso a caso” geralmente enfoca numa avaliação de riscos estreita, embaseada na ciência que não considera os potenciais impactos socioeconômicos de novas tecnologias. O objetivo da abordagem caso a caso é ver os cultivos Terminator regulamentados como qualquer outra planta geneticamente modificada.
O Terminator na CDB COP8
A 8ª Conferência das Partes da Convenção de Diversidade Biológica das Nações Unidas determinará o futuro da moratória de facto sobre a tecnologia Terminator. Está previsto que o Terminator esteja na agenda durante o segundo dia (terça-feira, dia 21 de março). A Campanha Terminar Terminator estará providenciando atualizações diárias das notícias de Curitiba durante a reunião da CDB – veja: www.banterminator.org e também em www.etcblog.org
A Campanha Terminar Terminator
A Campanha Internacional Terminar Terminator foi formada em maio de 2005 por grupos e movimentos da sociedade civil em resposta aos riscos apresentados pelo Terminator e pela nova promoção da tecnologia feita pelas corporações. A Campanha Terminar Terminator busca incentivar governos a banir a tecnologia Terminator em níveis nacionais e internacionais, e apóia os esforços da sociedade civil, dos agricultores, dos povos indígenas e dos movimentos sociais a fazer campanha contra o Terminator. A Campanha é apoiada por grupos e movimentos ao redor do mundo incluindo a AS-PTA, o Grupo ETC, o GRAIN, o Conselho dos Povos Indígenas sobre o Biocolonialismo, o ITDG (Intermediate Technology Development Group), a Pesticide Action Network – da Ásia e do Pacífico, a Rede Terceiro Mundo e a Via Campesina.
Campanha Terminar Terminator – www.terminarterminator.org
Jim Thomas – jim@etcgroup.org – (41) 8834-1049 celular